Por Bob Kellemen

Quarta Parte

Recebi muitos e-mails em resposta às minhas considerações sobre a cura no Natal. Um assunto frequente foi: “A tristeza que sinto nos feriados pode ser levada em conta também?”. Uma pessoa perguntou: “Eu não perdi uma pessoa querida, mas por causa de um divórcio, eu não posso nem mesmo ver meus filhos no Natal. Posso me sentir triste por isso?”. Um outro amigo perguntou: “Meus filhos adultos moram na Europa e eu raramente os vejo no Natal. Esta seria uma razão válida para o pesar?”.

Quando escrevi o livro A Cura de Deus para as Perdas da Vida, eu quis ensinar que todas as perdas, todas as separações equivalem a uma pequena experiência de luto. Cada perda é um lembrete da perda maior causada pela morte. Isso não quer dizer que cada perda tenha a mesma magnitude. Significa simplesmente reconhecer a realidade de que qualquer perda dói, pois qualquer perda é uma separação, uma ruptura daquilo que significa estar juntos.

Sim, a sua perda importa. E o mais importante é que a sua perda importa para Deus. É por isso que Ele o convida, assim como Ele fez com os santos do passado, a lamentar a sua perda. Ponderaremos agora sobre seis princípios práticos para o lamento das perdas na época de Natal, aplicáveis a perdas de qualquer tamanho ou forma.

Princípio 1: O começo é a pior parte

Muitas pessoas descobrem que a pior parte da jornada através do pesar é simplesmente o começo. Iniciar o caminho encarando a sua dor e sofrimento pode ser algo terrível. Você faz perguntas de todos os tipos: “O que vou sentir?”, “Serei capaz de lidar com o que quer que eu sinta?”, “E se meus pensamentos me consumirem e os sentimentos forem esmagadores para mim?”. “As pessoas entenderão?”, “Alguém ficará ao meu lado?”, “Vale a pena?”, “De que vale isso?”.

Lembre-se, todavia, de que vale a pena. Como já aprendemos, a negação não muda nada. A negação somente prolonga o inevitável. Fingir não muda os fatos, não pode alterar a realidade. Então, não se torture porque você está achando difícil ser honesto consigo mesmo e com Deus. Aceite o desafio de iniciar a jornada.

Princípio 2: Os outros podem não entender

Uma das ironias da dor da perda nos períodos de festividade é que seus amigos e familiares podem acreditar que você é aquela pessoa que não consegue seguir em frente, pois você ainda está sofrendo. Geralmente, o oposto é verdade. Eles não podem seguir em frente, pois nem sequer começaram a sentir o pesar. São eles que nem sequer conseguem olhar as fotos daqueles que se foram. São eles que não ousam falar sobre o parente que está ausente durante as festas, servindo o país em outro lugar do mundo. Não deixe que o medo deles o detenha. Não deixe que a negação deles cause em você uma falsa culpa pelo seu pesar.

Princípio 3: Seja honesto com Deus. Ele já sabe de tudo! 

Se a franqueza é ser honesto consigo mesmo sobre a dor que você sente pela perda, então o lamento é ser honesto com Deus sobre a sua perda e a sua dor. O lamento é encarar a sua dor cara a cara com Deus.

De alguma forma, pensamos que estamos escondendo as coisas de Deus quando nos recusamos a verbalizá-las. Mas Deus já sabe tudo o que pensamos e sentimos porque Ele sabe de todas as coisas e conhece os pensamentos e intenções de nosso coração.

O salmista entendia isso, e essa é uma das razões pelas quais há mais salmos de lamento do que salmos de louvor ou gratidão. Reflita nisso. Conte a Deus a verdade… seja o que for que você esteja pensando ou sentindo. 

Princípio 4: Tenha coragem, Deus convida ao lamento

Sejamos honestos, é aqui que o sofrimento fica bem confuso para os que amam a Deus. Sabemos que Deus nos ama, sabemos que Ele é bom, mas nesse momento nossa vida sofreu uma reviravolta muito desagradável. Isso leva-nos a pensar e, às vezes, a gritar: “Por que um Deus bom permite tamanha perda?”.

Será que realmente ousamos perguntar? Ousamos verbalizar o nosso lamento para Deus? As Escrituras são claras: Deus convida ao lamento. A Bíblia repetidamente ilustra fieis respondendo ao convite de Deus com palavras honestas, que fariam muitos cristãos modernos tremerem. Se você tem dúvida disso, leia o Salmo 13, o Salmo 73, o Salmo 88, Jó 3 e Lamentações 5. 

Princípio 5: Diga a verdade a Deus, Ele se importa infinitamente

O lamento demonstra a sua fé em Deus. De acordo com Salmo 62.8, se confiamos verdadeiramente em Deus, então compartilhamos tudo com Deus. “Confie nele em todos os momentos, ó povo; derrame diante dele o coração, pois ele é o nosso refúgio“. Aqueles que não são claros com Deus sobre a perda, correm em direção oposta a Ele e não percebe que, na verdade, não confiam nEle. Derrame diante de Deus o seu coração, pois Ele é nosso refúgio. Quando lamentamos, vivemos honestamente o mundo real, recusando-nos a ignorar o que está acontecendo. O lamento é nossa expressão de uma confiança radical em Deus em meio à vida real. 

Princípio 6: A sua honestidade com Deus o leva mais perto dEle

O Salmo 73 é um bom exemplo de lamento. Asafe começa assim: “Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração” (73.1). Depois ele continua com uma ladainha que aparentemente evidencia o contrário, falando da prosperidade do homem mal e do sofrimento do piedoso (73.2-15). Quando ele procura encontrar um sentido em tudo isso, ele se sente oprimido (73.16). Em seguida, ele verbaliza para Deus que seu coração está triste e seu espírito está amargurado (73.21). Seu lamento o aproxima de Deus, em lugar de distanciá-lo de Deus. Contudo, sempre estou contigo; tomas a minha mão direita e me susténs (73.23). Ele conclui: Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos (73.28).

Foi o relacionamento intenso e sincero de Asafe com Deus que fez com que a bondade de Deus ficasse clara para ele, mesmo nos momentos ruins da vida. Até que entrei no santuário de Deus, e então compreendi o destino dos ímpios… São como um sonho que se vai quando acordamos; quando te levantares, Senhor, tu os farás desaparecer (Sl 73.17, 20). A amizade espiritual com Deus resulta em uma visão perfeita sobre Ele. Negar ou diminuir o sofrimento é rejeitar nossa dependência de Deus. Deus quer que nos utilizemos da dor para admitir a necessidade que temos dEle em nosso sofrimento e para levar nosso sofrimento diante dEle.

O resto da história

O que Deus faz quando sou honesto com Ele sobre a dor durante as festas? Quais são as expectativas realistas sobre o que acontece comigo e o que Deus me promete? Ótimas perguntas. Exploraremos algumas dela na parte seguinte de Cura para o Natal.

Pense nisso

O Salmo 88 é um salmo clássico de lamento. De fato, alguns o chamam de Salmo da Noite Escura da Alma. Como seria chamado o seu salmo 88?

Clique aqui para fazer o download de todo a reflexão (via Issuu)

 

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