Por Bob Kellemen

Quinta Parte

Quando nós nos lamentamos diante de Deus e clamamos a Ele ao vivenciarmos uma perda nas festas, o que Deus promete? Ele promete remover toda a dor? Não, pois isso requer que Ele remova todas as lembranças de nosso ente querido, algo que nenhum de nós iria querer. Ele promete mudar ou “consertar” tudo? Não, esta tampouco é a promessa de Deus.

Quando clamamos a Deus, Sua promessa é: Ele vem. Ele vem com Sua presença reconfortante. No livro A Cura de Deus para as Perdas da Vida, eu defino conforto assim:

O conforto experimenta a presença de Deus na presença do sofrimento – uma presença que nos dá o poder de sobreviver às cicatrizes e plantar a semente da esperança a qual eu ainda irei experimentar. 

Minha jornada pessoal de conforto

Meu pai faleceu no dia do meu aniversário de 21 anos. Um ano depois, em meu aniversário de 22 anos, foi quando comecei a experimentar a presença reconfortante de Deus.

Para mim, o conforto reflete-se em minha decisão de não desistir de Deus e não desistir de meu ministério. Eu estava no seminário, preparando-me para o ministério, e secretamente duvidando de Deus – duvidando de Sua bondade, duvidando de Seu caráter, Sua habilidade, ou pelo menos de Seu desejo de me proteger e cuidar de mim. Quando o conforto veio, eu fiquei cara a cara com Deus. Tivemos algumas conversas difíceis. Tivemos alguns embates corpo a corpo.

Deus venceu. Eu me rendi. Eu ainda estava confuso com os detalhes da vida, mas comprometido com o Autor da Vida. Mais que isso, eu me rendi a Ele e fiquei dependente dEle. A minha atitude foi como a de Pedro quando Jesus perguntou a seus discípulos: “Vocês também irão me deixar?”. Você se lembra da resposta de Pedro? “Para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna” (Jo 6.68).

Eu estava de novo vivo. Havia sobrevivido, ainda que com cicatrizes. Eu não era mais, e nunca mais seria, aquele jovem cristão inocente que presumia que se eu orasse e trabalhasse duro, Deus me concederia todas as minhas expectativas. A minha fé não era mais aquela fé inocente; agora era uma fé mais profunda – uma fé capaz de andar na escuridão.

A jornada pessoal de conforto de Asafe

De acordo com Salmo 73.21-28, o sofrimento é uma oportunidade para que Deus mostre mais de Si, e para que Ele libere mais de Seu poder. Quando o coração de Asafe estava em sofrimento, e seu espírito amargurado, Deus o levou ao entendimento. Ouça a sua oração: “Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Salmo 73.26).

Em meio ao sofrimento, dizemos como Asafe: “Minha carne pode ter cicatrizes, mas com Deus eu posso viver – para sempre”.

A fé percebe que Deus sente a nossa dor, une-se a nós em nossa dor e até mesmo compartilha de nossa dor. Na verdade, a fé crê que: “Em toda a aflição do seu povo ele também se afligiu” (Isaías 63.19). Compartilhando de nossa aflição, Deus faz com que a nossa aflição fique suportável.

A fé não exige que o sofrimento seja removido; a fé deseja persistência no sofrimento, na tentação e na perseguição (1Coríntios 10.13). A fé entende que aquilo que não pode ser curado, pode ser suportado. A fé deleita-se na fraqueza, pois quando somos fracos, Deus é forte, e somos fortes nEle (2Coríntios 12.9, 10).

O sofrimento é uma resposta normal à perda. Todavia, Deus não nos abandona em nossa escuridão.  Deus, que é luz, ilumina nosso coração ferido.

“Deus vos conceda descanso feliz, cavalheiros” (God rest ye merry, gentlemen)

Esta tradicional cantiga de Natal inglesa comunica de uma forma maravilhosa o conforto que encontramos na presença de Deus. A cantiga é a respeito da encarnação de Cristo – Cristo se fez carne e nasceu para que Ele pudesse estar presente, morando em nós.

Como todas as cantigas verdadeiras e fiéis de Natal, esta conta uma história que progride desde o nascimento de Cristo até a Sua morte e ressurreição em nosso lugar. A estrofe final capta nosso conforto para o Natal, nossa esperança nas festas.

Agora ao Senhor cantamos louvores,
Todos vocês neste lugar,
E com verdadeiros amor e fraternidade,
Abraçamos uns aos outros,
Esta época santa de Natal
Apaga tudo.
Oh, boas novas de conforto e alegria,
Conforto e alegria,
Oh, boas novas de conforto e alegria. 

Nosso típico voto natalino é “Feliz Natal!”. O santo “voto” natalino é “Conforto e alegria!”.

No Natal, você pode não se sentir “feliz”, mas em Cristo e com Cristo você pode experimentar o conforto pela presença reconfortante de Deus. E você pode experimentar a alegria. Alegria não é felicidade ou folia. Meus votos para estas festas são mais do que “Feliz Natal” ou “Feliz Ano Novo”. Meus votos para você, por meio de Cristo, são “Conforto e alegria”.

O resto da história

Sobreviver ao Natal é, para muitos, uma grande meta. Mas… é possível acontecer algo mais? Poderíamos passar de sobreviver para florescer? Falaremos dessa alegria na parte seguinte.

Pense nisso

Como você poderia experimentar a presença de Deus para, assim, poder experimentar de Seu conforto e alegria nestas festas?

Clique aqui para fazer o download de todo a reflexão (via Issuu)

 

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