Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais
ele concede o seu favor. (Lucas 2.14 NVI)
 

Eu vivo no topo de Chinatown, na Filadélfia, e no inverno, para evitar o frio, eu passo por dentro da loja Macy’s para chegar onde eu quero ir. Durante a estação do Natal, todos os dias, seis vezes por dia, do Black Friday até a véspera de Ano novo, a Macy’s tem uma decoração festiva com mais de 100.000 luzes LED. É uma tradição na Filadélfia há mais de meio século e que, continuamente, atrai uma grande multidão. Porém, como um morador local, só nesse ano eu já vi o show de luzes 722 vezes (isso é um exagero, caso vocês, matemáticos, estejam tentando calcular).

Enquanto eu caminho pela Macy’s, vejo que as músicas festivas são acompanhadas de dizeres natalinos, e o refrão de Lucas 2.14 aparece na loja inúmeras vezes. “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”. Considerando o grande número de vezes que eu passo pela Macy’s, foi fácil para eu memorizar este refrão. E isso me fez pensar: será que nós realmente compreendemos o que essas palavras significam? Há algo na familiaridade que coloca nossos cérebros e corações em uma monotonia espiritual. Por conta disso, eu receio que nós possamos estar perdendo o profundo e expansivo sentido destas palavras. Vamos, então, nos acalmar. Faça de conta que esta é a primeira vez que você está lendo este versículo.

“Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”. Glória e Paz são as duas palavras principais deste hino. Vamos considerar Glória primeiro.

Eu não sei se você já reparou nisso, mas você é focado em glória. Tudo o que você faz na sua vida – tudo o que diz, todas as suas escolhas, todas as suas reações – é feito para alcançar algum tipo de glória. Talvez você esteja um pouco confuso sobre o que é glória, então vamos fazer um pequeno tour pela Bíblia.

Você foi criado para viver tendo em vista a glória de Deus. A principal motivação do seu coração deveria ser que Deus fosse glorificado em cada momento de sua vida. Toda a criação foi projetada para nos lembrar da glória de Deus. Seja o formato único de cada floco de neve, ou o brilhante som de um trompete, ou ainda o calor de uma fogueira, todas essas coisas deveriam refletir a glória de Deus.

É assim que tudo foi criado para ser, mas, em um momento de desobediência e rebelião, Adão e Eva escolheram viver para a glória da criação em vez de para a glória de Deus (Gn. 3.6). Desde aquele momento terrível existe uma luta feroz em nossos corações. Nós nem sempre vivemos para a glória de Deus; nós queremos lutar pelas nossas próprias pequenas glórias.

Alguns de vocês pegaram trânsito esta semana, e eu aposto que, provavelmente, não pensaram primeiramente na glória de Deus naquele momento. Alguns lutaram contra a luxúria esta semana, trocando a glória de Deus pela glória do momentâneo prazer sexual. Alguns lutaram com o materialismo da Black Friday ou, enquanto pensam no que querem para o Natal, estão substituindo a glória de Deus pela posse de coisas físicas que não satisfazem. Alguns lutaram com orgulho, escolhendo viver para a sua glória pessoal em vez de para a glória de Deus. Todos nós, de alguma maneira ou de outra, nos confundimos a respeito de glória.

Glória a Deus nas alturas. Imagine como seria o mundo se todas as pessoas vivessem assim. Imagine como seria viver numa sociedade onde cada coração fosse governado pela glória de Deus. Não haveria guerra, pobreza, divórcio, assassinato. No entanto, isso é muito distante da nossa realidade. Nosso planeta é habitado por pessoas que vivem para a sua própria glória, e isso inclui a igreja.

A segunda palavra é Paz: “paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”. Eu e você não fomos criados apenas para viver para a glória de Deus; nós fomos criados para viver em paz com Deus. Nós fomos criados para ter a grande honra de sermos os reverentes e obedientes amigos de Deus. Há um momento terrível no jardim quando Deus desce, na virada do dia, para comungar com Adão e Eva (Gn. 3.8). Deveria ser uma imagem linda, de Deus andando com Seus amigos, mas Adão e Eva estão escondidos cheios de medo e vergonha. A paz com Deus havia sido abalada.

A paz com Deus também nos permitiria ter paz interna, não porque nós somos fortes ou sábios ou sabemos o que acontecerá no futuro, mas porque nós temos um relacionamento íntimo com Aquele que governa sobre tudo, para Sua glória e para o nosso bem.

Amo a palavra do Antigo Testamento shalom, pois ela representa algo mais fundamental do que apenas a ausência de conflito. Ela mostra que todas as coisas estão na sua ordem devida e funcionam da maneira pela qual foram designadas. A paz com Deus resulta em paz pessoal no coração. Porém, nem sempre nós temos isso. Nós experimentamos ansiedade, raiva, frustração, depressão ou falta de esperança. Nossos corações lutam para se acalmar. O shalom foi abalado.

Finalmente, paz com Deus significa ter paz com os outros. Quando eu e você não temos paz com Deus, e não temos paz interna, torna-se difícil viver em paz com outros. Nossas vidas acabam sendo marcadas por conflitos. Eu não creio que qualquer pessoa lendo esse texto tenha vivido um ano inteiro livre de conflitos. Eu ousaria até dizer que, provavelmente, você não teve sequer o mês de dezembro sem conflitos. Tudo o que você precisa fazer é ver as notícias ao seu redor para saber que a paz com os outros foi abalada.

E paz na terra… Imagine como seria o mundo se todas as pessoas vivessem assim. Imagine como seria viver numa sociedade onde cada coração fosse governado pela glória de Deus. Não haveria guerra, pobreza, divórcio, assassinato. No entanto, isso é muito distante da nossa realidade. Nosso planeta é habitado por pessoas que vivem para a sua própria glória, e isso inclui a igreja.

Agora, se você tem um problema com Glória (o que você tem), e se você tem um problema com Paz (o que você também tem), então o que você tem é um problema de Coração. Sim, o trânsito é frustrante, a insanidade sexual da nossa sociedade não nos ajuda, seus filhos desobedecem frequentemente e seu cônjuge muitas vezes é difícil. Porém, o seu maior problema ainda é você. Há algo quebrado em seu coração. É por isso que Davi acerta em cheio quando ora: “Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável” (Salmo 51.10). O que nós precisamos é de uma mudança de coração radical, pessoal e permanente.

Essa pequena canção, feita para ser a celebração do nascimento de um bebê, é muito mais do que isso. Essas palavras definem nossa maior necessidade e, ao definir nossa necessidade, definem a missão de Cristo. As profecias acerca da Sua vinda mostram claramente que Jesus tratará desse assunto: Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. (Ezequiel 36.26)

Há algo mais que essas palavras fazem: elas definem o preço da missão de Cristo. Paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor. Outra tradução seria: Paz a quem Ele quer bem. E ainda Paz a quem Ele concede graça. A única esperança de paz é a graça, e o veículo da graça é a morte. Você nunca entenderá por completo o peso do bebê na manjedoura, a não ser que você saiba que o bebê veio para ser o Cordeiro.

Esse pequeno hino celestial anuncia a redenção, mas também nos lembra da nossa constante necessidade de graça. Ainda que o poder do pecado tenha sido quebrado, nos libertando de todas as pequenas glórias pessoais que costumavam governar nossas vidas, nós ainda precisamos viver para a glória de Deus diariamente. E, apesar do sacrifício final ter sido pago para que nós pudéssemos experimentar paz eterna com Deus, nós ainda lutamos para viver, diariamente, em paz conosco e em paz com os outros.

Neste Advento, lembre-se que o nascimento de Cristo o liberta de viver pequenas glórias e o convida a participar de um reino muito mais glorioso. Lembre-se também que o nascimento de Cristo não apenas lhe garante paz eterna com Deus, mas permite que você viva em paz consigo mesmo e em paz com os outros.

Questões Para Refletir:

1- Você tem lutado com habitualidade? Sua mente e coração estão numa monotonia espiritual? De que maneira você pode se acalmar nesta época do Advento e personalizar sua caminhada com Cristo?

2- Onde você vê uma luta de Glória no seu coração e na sua vida? Por que você é tentado a viver mais para a sua glória pessoal do que para a glória de Deus?

3- Em que áreas você tem lutado para encontrar Paz com Deus, paz interna e paz com os outros? Como você pode deixar a paz de Cristo governar o seu coração? (Colossenses 3.15)

4- Por que é difícil admitir que você tem um problema de Coração? Quem, ou o quê, você tem culpado pelos seus problemas de Glória e Paz?

 

Devocional desenvolvido por Paul Tripp. Publicado sob autorização de Paul Tripp Ministries. Para o original, clique aqui. Traduzido por Karen Zambelli.

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